Aquela culpa

Parece que já acordamos culpados. Todos os dias um motivo diferente. Seja ter passado tempo a mais na cama, comido um cadinho a mais no dia anterior ou a eterna culpa da preguiça em ir trabalhar.

E é verdade. Quem nunca se sentiu culpado por algo que você tinha razão? Ou uma decisão que pode ter sido tomada de forma errada, mas que no fundo, no fundo, você sabia que era a certa. Mas mesmo assim, ela, a grande culpa aparece.

Todos vão te fazer sentir culpados por algum motivo, mesmo que você não esteja preocupado com isso. Nenhuma decisão é 100% certa, nada é com certeza certo, mas mesmo que todos saibam disso, você sempre será julgado e culapado por algo que você escolheu.

Ir contra o pensamento, contra a moda, contra o certo, contra a religião, contra as regras, contra a vida. Cada um sabe de si e atribui em si a culpa que julga necessário, mas por favor: “não faça alguém assumir uma culpa apenas por uma atitude fora do padrão”. Novamente: Cada um sabe de si e atribui em si a culpa que acha necessário!

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Perfil Perfeito

Não se iluda com rede social. Não pense que o feed do Instagram é igual a vida do dono do perfil. Não! Não é! 

Lá no Instagram o perfil perfeito também chora, também se sente mal, tem dias ruins, o cabelo não colabora, acha que a aparência não tá boa, o trabalho não tá bom, a vida tá ruim!

Mas no feed é perfeito. As cores ornam, a sequência bate, as curtidas só aumentam. Mas na vida real talvez os amigos diminuem, tudo é preto e branco, e embaralhado. Não é real. Na foto está rindo com um copo de bebida na mão, mas na verdade está chorando por dentro e só está bebendo por status.

Posa com aquela pessoa do lado, só para provocar alguém, mostrar algo pra outro e a pessoa em si, lá da foto, não significa nada. A legenda presa o amor, amizade e lealdade, mas o perfil perfeito é incapaz de amar, não é leal a ninguém e amizades, talvez, poucas, pouquíssimas.
A vida do perfil perfeito também é ruim, ele também chora por alguém, por uma situação ruim, por uma insegurança. Ele também se sente enganado, passado para trás, desvalorizado. As festas, as bebidas, os amigos, os sextous, podem não ser reais. Vai buscar algo lá fora, porque dentro já não tem mais nada.
Chega em casa da noitada, encosta a cabeça no travesseiro, com preguiça de tirar a roupa. Adormece sempre com a sensação de vazio. Solidão. Sozinho. Só. Solitário. Acorda com o sol no rosto, queimando o pensamento que deseja não acordar. Se levanta, toma banho e olha no espelho embaçado uma expressão que, na noite anterior, no banheiro da balada, não estava lá. Se rasteja, coloca a roupa e vai para o trabalho. O emprego que já passou da hora de sair, de receber um aumento, de ser notado, valorizado. Tem vontade de sair, de não ter rotina, de trabalhar em casa, talvez de pijamas, talvez de terno. Escolher entre sapato social e chinelo seria a grande dúvida do dia.
O almoço é frio, a comida sem tempero, o preço é alto e a companhia desagradável. Pega uma sobremesa deliciosa para aliviar a semana ruim, os pensamentos horríveis e as péssimas pessoas. Cada colherada significa vida nova.
Mais uma vez, chega em casa e a decoração está impecável, o rebaixamento em gesso de primeira qualidade e os móveis da loja mais cara é chique da cidade. O perfil perfeito deita em sua cama king, que o cabe atravessado. Sozinho. Pega o celular, olha suas fotos e seus vídeos daquele dia.
“Café da manhã saudável, indo para o trabalho num carro bacana, os amigos do trabalho sempre divertidos e parecendo desfile do São Paulo Fashion Week. O almoço no restaurante badalado, o prato lotado de coisa verde, a sobremesa para alegrar. Voltando para a casa, um trânsito pesado e a paquerada com a moça no padrão perfil perfeito, que está na pista ao lado. A foto no elevador, a foto no espelho do banheiro com o cabelo molhado e a toalha cobrindo o que seria censurado.”
Mais uma vez a noite chega. A cama vazia. A mente cheia. O celular lotado de notificação. Facebook, Instagram, LinkedIn, email, Tinder, Happn, milhões de mensagens no Whatsapp. Nenhuma o deixa feliz.
Mais uma vez o perfil perfeito adormece, deitado em sua cama king, vazia. Dessa vez, pelo menos, ele lembrou de fechar a persiana, para o sol não queimar os pensamentos de solidão.

Ah o Final do Ano

Ah o mês de Novembro!!!

Vocês já repararam que Novembro exala um cheiro de Natal, de Dezembro? Chega o fim da tarde e só sinto cheiro de Natal. Um cheiro fresco, meio calor, que me lembra os preparativos para a comilança Natalina.

Se você assistiu o filme Meninas Malvadas, quando está chegando Dezembro, a única coisa que você consegue lembrar é:

Chega Novembro e a galera já pensa em férias, em verão, em praia, em correr para as lojas e comprar os presentes, em onde vai passar o Réveillon (sim, procurei como escreve no Google), qual vai ser o look para o Natal, o look final do ano todo branco, ou prata, ou dourado, ou amarelo, ou cores que simbolizam dinheiro.

Muitas pessoas, quando entra Novembro, já pensam nas finanças, mais especificamente no combo:

Presente do love (se tiver) + presente dos pais + presente de alguém querido + look para o Natal + amigo oculto 1 + amigo oculto 2 + amigo oculto 3 + contribuição para os comes e bebes da ceia + look ano novo + viajem com a galera ou mozão + hospedagem + locomoção + comprar aquele biquíni top + aquele vestido top + aquela sandália que combina com o vestido + … = VALÊNCIA TOTAL NATALINA / FINAL DE ANO.  

Além de tudo isso, chega o mês de Novembro e muita gente já fica louca só de pensar que o próprio final do ano está chegando e nenhuma meta foi realizada, ou apenas uma das 897416 metas, ou que o ano foi horrível, decepção, crushs que não foram para frente, aquela matéria maldita da faculdade, aquela possível reprovação na escola, desemprego, e por aí vai uma lista de um milhão, quinhentos e noventa mil, quatrocentos e vinte itens que fizeram seu 2017 horrível.

Mas seu ano pode ter sido lindo, com flores brotando, pássaros cantando, paquera rolando. Como não é meu caso, não vou me prolongar.

Mas não é só o final de ano que assusta, são TODOS os indícios que o ano está acabando.

A propaganda na TV, na Internet, na revista, no jornal, as decorações dos shoppings, as poucas casas que ainda são enfeitadas para o Natal, as provas finais da faculdade ou escola, os nomes para o amigo oculto, o corre corre que fica o centro da cidade.

Sim, todo mundo está se preparando para a chegada do final do ano. Menos você, que está assustado, com vontade de chutar e socar 2017. Ou você está sim preparado, pois quer empurrar 2017 penhasco abaixo e sumir com ele logo.

Anos vão, anos vem, a essência se perde. Mas o cheiro de Natal, de Dezembro, ainda permanece na minha memória. E sim, é uma das melhores coisas do final do ano, pra mim, claro. Além da linda touca de Papai Noel que aderi há alguns anos e nunca vou me desgarrar dela!

 

O preço de realizar um sonho

Tudo na vida, para dar certo, precisa ser feito um planejamento. Com antecedência, pensando nos prós e contras, vendo segundas opções, analisando tudo e guardando dinheiro. Ahhhhh guardar dinheiro – falando parece fácil né?! Mas se tratando de algo que você quer realizar e ter, é completamente necessário. Guarde os trocos, os trocados, as moedas, deposite, coloque na poupança, faça algum plano. Enfim, arrume um jeito de não gastar.

Sempre que o assunto dinheiro, grana, bufunfa, money, dindin, surge na roda de conversa, de duas, uma opção: ou você se gaba porque tem ou você brinca e faz piada porque não tem. Ou você não fala nada, talvez a opção mais sensata. Porém, apesar dos egos inflados e das carteiras vazias, tudo custa dinheiro e ainda mais quando você passa a merecê-lo, trabalhando, dando duro, ralando, suando, você começa a pensar nas verdinhas de uma forma diferente. Você vai deixando de gastar, juntando, guardando, ou apenas dá mais valor para ele a gasta mesmo.

Porém,  chega uma hora que é preciso pensar. Comprar um carro, uma roupa, uma casa, um celular mais moderno, aquela viagem dos sonhos. Ai você vai procurar e… cadê o dinheiro? Você gastou no cafezinho, no amendoim esperando o ônibus, naquela balinha marota. E assim foi embora. O sonho vai ficando distante, longe, quase inalcançável.

Parece muito óbvio né, falar essas coisas, mas muitas pessoas não se tocam nesses assuntos financeiros e quando precisa, não tem. É preciso entender sua vida financeira, anotar e pesar os seus gastos, pensar no futuro e nos seus sonhos. Pense quanto aquilo vai custar, pensa quanto você pode guardar, tente não comprar o amendoim, nem tomar o cafezinho. Centavinhos e centavinhos que fazem a diferença, viu?!

Quando nada ajuda

Se você está feliz, com coisas certas em sua vida, se tudo está indo bem: RELEVE ESTE TEXTO!

Sabe quando tudo no dia está ruim? Os planos deram errado, as pessoas não te escutaram, os vizinhos gritam, as esperanças acabam, assim como a paciência, e para colaborar, nem a internet funciona direito.

Passar por dias ruins está me fazendo perder o ânimo. Mesmo que coisas pontuais aconteçam, elas são superadas por notícias ruins, palavras ruins e e-mails ruins.

O que era chamado por mim de esperança, hoje soa algo como: desespero, inalcançável, difícil. E as vezes o som é maior e sai coisas do tipo: incapaz, substituível, sem capacidade, sem talento.

Não pense que estou exagerando. Não estou. Sem como é o som do desespero, da dor, de ver as coisas aos poucos caindo e eu, do meu pequeno canto observando, admirando a beleza do desastre, da poeira nos olhos, da tristeza que paira na mente de todos.

Também não é drama. Não é drama. Sei também como as coisas são boas para mim, sem pressão, sem pressa, com confortos, alguns luxos, amor e carinho a minha disposição. A cobrança é interna, é na minha cabeça, no subconsciente, no meu ser.

Cobrança para mostrar que sou capaz, que posso, que podem acreditar em mim, que os fracassos passados foram apenas degraus de uma linda e saborosa vitória. Vitória essa que estou demorando para sentir o gosto. Vitória essa que parece não chegar nunca. Vitória essa que está atrasada, pois no meu relógio teria que ter acontecido ano passado, talvez retrasado.

Como falei: Se você está feliz, com coisas certas em sua vida, se tudo está indo bem: RELEVE ESTE TEXTO!

Cabeça, ombro, joelho e pé

Os passos só vão para trás. Os que são para frente sempre voltam. Falta de vontade não é, falta de impulso não é. Parece que os pés estão ligados ao pensamento e sempre que os pensamentos não correspondem a realidade os passos não acontecem.

Você está em casa, reclamando porque 10% da sua vida está ruim, só porque você ainda é nova e não encontrou seu amor. Tem gente com 70 anos que ainda está buscando. Enquanto isso, uma família está na beira da estrada, no frio, com duas crianças e não pedem nada. Se viram. Torcem para alguém olhar para o lado e botar a mão na consciência.

No nosso mundo perfeito não existe tráfico, tiros, crianças sem comida e lar. Nesse mundo perfeito  não há espaço para comoção. Não há espaço para comoção pessoal, mas para a nacional há espaço. Levanta a bandeira LGBTTI, mas não tem coragem de falar isso para a família. Defende o feminismo, mas está num relacionamento abusivo e não percebe. Não há espaço para problemas pequenos. Só comoção com campanhas via rede social.

Enche o peito para dizer que tem muitas curtidas e seguidores, mas quando precisou ninguém estava ao seu lado. Estamos vivendo a era Black Mirror, realmente. Os passos são para trás. A cabeça regrediu. Os pés estão ligados à cabeça e não podem pensar separados. Os pensamentos são retrógrados, os passos também. Não olhamos para a dor mais próxima e sim para a a dor nacional. Pelo menos ainda sentimos dor. Pelo menos ainda tem a esperança de encontrar o amor. Mas tem pressa e medo de ser feliz. Ou infeliz. Ou medo de ser. Ou medo de não ser. Tem medo. O medo basta. O medo te atrasa e não deixa andar. O medo te impulsa a ir mais longe. O medo.

Sem sentido, perdidos, vamos andando e acordando. Sem saber como será o dia. Ou sabendo e não querendo ter aquele dia. Ignorando. Ignorado. Por tudo e todos. Esquecido. O celular acabou a bateria. Está sozinho, não tem amor. Sem curtidas. Olhou para frente. Viu a família na beira da estrada. Sentiu o vento no corpo. Imaginou o frio. Olhou para o outro lado. Viu uma loja. Entrou para comprar uma bateria a mais para o celular. Entrou no Tinder, Happn, Facebook, Instagram. Voltou a vida normal e esqueceu a dor de todos.

Lembrou da sua dor. Sempre sai com a bateria a mais agora. Para não sentir dor. Regrediu. Os pés estão juntos da cabeça. Pensa e anda igual. Para trás.

Crescer e amadurecer

Sinto como se algo tivesse mudado em mim. Algo como amadurecer. Mas, ao contrário do que muitos pensam, eu estou vendo isso de uma forma ruim. Sabe aquela pessoa que não perdia a paciência, que sempre tinha uma palavra amiga para aqueles que chegavam com problemas, ou talvez aquele tipo de amigo disposto a ajudar?

Eu já fui assim. Eu era assim. Mas, aprendi muitas coisas e nessas pude ver que só eu posso resolver meus problemas, só eu posso realmente entender o que é certo e o que é errado na minha vida. Eu entendi que não preciso ir pelo conselho do fulano ou do ciclano para resolver alguma coisa. Eu que sei da minha vida. E da mesma eu não me sinto mais no direito de opinar ou aconselhar algo. Eu sinto como se não fosse mais aquela menina da oitava série ou primeiro ano do ensino médio para dizer para minha amiguinha o que ela deveria fazer. Me sinto assim e realmente não sou mais.

Esse amadurecimento é bom, faz parte da vida, mas também sinto como se tivesse levado metade da minha alegria, da minha paixão pela vida. Hoje, correndo de um trabalho para o outro, dentro de um ônibus para cá e outro pra lá, lidando com pessoas diferentes, com vidas diferente, percebi isso. Percebi que eu preciso, nessa fase da minha vida, me concentrar em mim, pensar nos conselhos para mim, porque ninguém vive minha vida, ninguém sabe o que se passa no meu interior, e por isso ninguém pode opinar ou achar o que é melhor ou não.

Dessa mesma forma que eu estou me virando, e muito bem por sinal, você também pode. Sabe, perca o medo, joga no Google o endereço, liga, manda mensagem. Não me use de pombo correio, não me ache com cara de Google Maps, não ache que eu tenho tempo ou paciência. Eu tinha. Hoje, não mais.