Amizades

Diana saiu de casa e deu tchau para Lucas, Alice e Diego e foi resolver suas coisas, seus compromissos.
Diana, sempre solitária, viajava em seus pensamentos. Ela sempre tinha cinco versões dos fatos, sempre tinha um porém, um a mais, só que ela conversa pouco com as pessoas.
Diana sempre tentou fazer amizades, lia três livros por semana, buscava conhecimento, escutava músicas diferentes e sempre tinha um novo assunto em mente.
Diana tinha muita sabedoria, mas não tinha com quem partilhar. Seus amigos não gostavam dos mesmos assuntos dela, mesmo Diana tentando variar.
Um dia, em um ponto de ônibus, Lucas começou a conversar com Diana, sobre o tempo, o trânsito, política e dificuldades. Todos os dias, no mesmo horário, depois de saírem do trabalho, Lucas e Diana se encontravam no ponto e a conversa fluía. Cada dia um tinha mais assunto, mais novidades, mais palavras para trocar.
Lucas apresentou Alice para Diana. Alice era quieta, mas sempre que solicitavam suas palavras, ela soltava lindas frases coerentes com o assunto. Alice era informada, sabia dos assuntos do mundo, dos famosos, da TV, do congresso. Alice era referência em confirmar a veracidade das informações.
Alice apresentou Diego para Diana e Lucas. Diego era primo de Alice. Ele era extrovertido, conversava com estranhos, dava corda nos assuntos das senhorinhas nas filas, sempre falava bom dia ou boa tarde para a mocinha do caixa. Diego, além de extrovertido, era educado.
Os quatro formaram um grupo perfeito. Todos dispostos a ajudar. Diana não se sentia mais sozinha. Sempre que precisava conversar, mesmo que no meio da noite, ligava para um de seus amigos. Mesmo dormindo, todos ajudavam e escutavam Diana. Todos prontos para estender a mão, o braço ou as pernas quando ela precisasse.
Diana andava sorridente pelas ruas, sempre pensando em como a vida foi boa por ter dado seus amigos. Diana, antes de dormir, sempre agradecia a Deus pelos amigos. Diana não precisava de mais ninguém, estava completa.
Sandra, a mãe de Diana, percebeu o quanto essas amizades deixavam a filha feliz. Sempre tratava bem os amigos, servia cafezinho, um bolinho, uma tortinha para eles. Os amigos visitavam Diana frequentemente e eram sempre bem recebidos. Paulo, o pai de Diana, não entendia as amizades da filha. Achava que aquelas pessoas eram poucas para Diana, ele pensava que a filha tinha capacidade de encontrar outros amigos.
Diana, doce menina, conseguia entender a dúvida do pai, mas preferia confiar nas amizades, afinal, todos eles a entendiam, sempre a ajudavam e estavam prontos para o que der e vier. Eram como os mosqueteiros.
Um dia, Diana saiu de casa para ir a terapia, compromisso que fazia sempre duas vezes por semana, uma hora por dia. Lá, Diana falava dos seus amigos, de como eram bons com ela, como sempre tinham assuntos, coisas para fazer, o tédio não existia com eles. Márcia, terapeuta de Diana, ligou para a casa da paciente, assim que a menina saiu do consultório. Márcia conversou com Sandra, mãe de Diana, sobre as amizades da menina. Falou que concordava com o pai, que os amigos dela não eram suficientes para Diana, que ela tinha capacidade de achar novas amizades.
No caminho para casa, Diana entrou em uma lojinha de doces. Trocou umas palavras a respeito do nome engraçado de um produto com uma estranha. A estranha riu da piada da menina.
Os pais de Diana, mesmo com o alerta da terapeuta, não queriam deixar a filha triste e não falaram nada com ela sobre o conselho de Márcia.
Diana seguiu sua rotina, indo a terapia duas vezes por semana e sempre conversando com seus amigos. Quando saía da terapia, passava na lojinha de doces e encontrava a estranha, que já tinha virado conhecida. Júlia esperava o mesmo ônibus de Diana e iam conversando  o caminho todo sobre assuntos variados. Todos os dias em que ia na terapia fazia isso. Entrava na loja, encontrava Júlia e entravam no ônibus.
As meninas ficaram amigas, Júlia frequentava a casa de Diana e sua mãe também preparava sempre delicinhas para as meninas. Os pais de Diana começaram a entender que a menina estava criando laços de amizade com Júlia e percebam que Lucas, Alice e Diego afastaram um pouco da menina. Eles agradeceram, já que o pai e a terapeuta de Diana não gostavam das amizades. Mas com Júlia não tinha esse problema.
Diana, então diminuiu a frequência de contato com  seus amigos, até porque eles não a procuravam. Ela não ficou triste, pois já tinha uma nova amiga, Júlia.
Diego, Lucas e Alice sempre trocavam algumas palavras com Diana, sempre poucas. Eram interrompidos por Júlia. Não ficaram com ciúmes, com inveja ou algo do tipo. Eles entenderam Diana, como sempre faziam.
Lucas, Alice e Diego permaneceram na mente de Diana, para sempre. Mas ela não precisava mais recorrer a seus amigos imaginários, pois tinha Júlia, sua amiga real.

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