Sobre o que o Pernalonga pode ensinar ou sobre arrependimento

Vou começar contando uma história de quando eu era pequena. Essa história pode ser o maior arrependimento da minha vida. Antes de começarem a ler, me prometam que não vão debochar de mim, lembrem-se: eu era criança.

Eu adoro o Pernalonga, via muito os desenhos dele e achava-o muito animado. De repente me vi querendo um coelho, porque o Pernalonga era tão divertido que achei que um coelho normal também seria.

Meus pais me deram um coelho, coloquei o nome de Floquinho. Era branco, calmo e lindinho. Mas não era igual ao Pernalonga, claro. Revoltei-me, falei que não queria mais o coelho e meus pais o doaram para um amigo, que tinha um sítio e ele poderia brincar e correr.

Depois de muito tempo sem lembrar dessa história, meus pais me contaram. Foi nessa hora que meu coração morreu um pouquinho. Todos sabem que esse papo de levar algum animal para um sítio pode significar que o bichinho morreu e não quiseram te contar. No meu caso pode ter sido: “demos o coelho para o amigo do sítio, mas ele não correu, matamos o animalzinho e comemos”.

Depois dessa hipótese, sofro todas as vezes que penso no Floquinho, como foi rejeitado apenas por não ser igual ao Pernalonga. A culpa foi minha. Hoje, andando no Parque Halfeld indo para o trabalho, vi uma moça com deficiência, em uma cadeira de rodas, levando sua ou seu cachorrinho peludo para passear.

Se eu pudesse, se fosse um dia comum, sem a correria de ter que bater o ponto, eu teria sentado em um dos bancos e ficado lá, olhando a moça e o peludinho passeando.

No momento em que vi isso, pensei logo nos meus cãezinhos e depois no Floquinho, na minha rejeição. Hoje, se eu pudesse, o pegaria de volta, mesmo sem ele brincar ou correr.

É uma história boba, coisa de criança, mas me ensinou a não rejeitar, animais, pessoas, oportunidades. Se você piscar, elas vão embora, somem, vão para o famoso sítio e morrem por lá. Se aparecer algo na sua vida que possa significar algo como uma mudança, uma oportunidade, uma chance, não ignore como eu fiz com o Floquinho, abrace-a, a faça pertencer a sua vida. Garanto que se você fizer isso, será bem difícil ter algum arrependimento.

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