Limonada de vida

“Se a vida te der um limão, faça uma limonada”. Tá, mas e quando nem limão azedo, pequeno e sem caldo nenhum a vida te dá? O que fazer? 

Confesso que estou um tanto quanto perdida na minha vida profissional. As outras vidas estão ótimas, mas nada é perfeito, não é mesmo? Sempre tem algo incomodando, algo que está errado, ou que não caiu bem naquele momento. A minha vida profissional está bagunçada e meio sem sentido, sem função, e nem eu consigo entender mais.

Acredito que sou boa no que faço, que tenho foco, objetivo, determinações e vontade de aprender. Mas as oportunidades batem na porta, eu corro para atender e quem bateu na porta já correu há muito tempo. Infelizmente, é isso o que está acontecendo. Oportunidades aparecem, mas vão embora, junto com o resto da minha esperança.

Sei que esses últimos anos não foram fáceis para ninguém. Empresas demitindo, fechando, entrando em falência, milhões de lojas alugando, milhões de pessoas sem emprego e MUITA GENTE QUERENDO E PRECISANDO TRABALHAR.  Ás vezes, Deus dá asas as cobras, e muito passarinho fica sem poder voar. É o que está acontecendo agora. Pessoas novas, com experiência, ou às vezes sem mesmo, mas com muita vontade de aprender, pessoas com formação, estudadas, ou sem estudo,porém excelentes no que fazem. Correndo de uma entrevista para a outra, com o currículo na mão, com esperança na cabeça e dor no coação.

Graças a Deus tenho casa, não pago aluguel e os meus pequenos gastos estão sendo pagos por pessoas que sabem que estou tentando. Mas e quem não tem essa mesma vida? Quem tem filhos, aluguel, comida para colocar em casa, conta de água, luz, internet, a mensalidade da natação, futebol, balé, quem tem cachorro, gato, papagaio ou jacaré? Qual a solução desses problemas? O que fazer quando o último centavo acaba? O que fazer quando é preciso escolher entre andar 40 minutos, ou mais, a pé para economizar uns R$ 5,00 para poder comprar pão para o café da tarde?

Não! Não estou exagerando! Conheço o mundo em que vivo, as pessoas ao meu redor e sei que há situações piores que essas, mil vezes piores que a minha, mas cada um possui uma necessidade. Seja conseguir comprar um saco de arroz ou pagar a parcela do celular. Cada um conhece sua vida e sabe em qual lugar vai ficar complicado quando o dinheiro se for, quando o trabalho se for, quando a oportunidade se for e até mesmo a esperança se for?

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O preço de realizar um sonho

Tudo na vida, para dar certo, precisa ser feito um planejamento. Com antecedência, pensando nos prós e contras, vendo segundas opções, analisando tudo e guardando dinheiro. Ahhhhh guardar dinheiro – falando parece fácil né?! Mas se tratando de algo que você quer realizar e ter, é completamente necessário. Guarde os trocos, os trocados, as moedas, deposite, coloque na poupança, faça algum plano. Enfim, arrume um jeito de não gastar.

Sempre que o assunto dinheiro, grana, bufunfa, money, dindin, surge na roda de conversa, de duas, uma opção: ou você se gaba porque tem ou você brinca e faz piada porque não tem. Ou você não fala nada, talvez a opção mais sensata. Porém, apesar dos egos inflados e das carteiras vazias, tudo custa dinheiro e ainda mais quando você passa a merecê-lo, trabalhando, dando duro, ralando, suando, você começa a pensar nas verdinhas de uma forma diferente. Você vai deixando de gastar, juntando, guardando, ou apenas dá mais valor para ele a gasta mesmo.

Porém,  chega uma hora que é preciso pensar. Comprar um carro, uma roupa, uma casa, um celular mais moderno, aquela viagem dos sonhos. Ai você vai procurar e… cadê o dinheiro? Você gastou no cafezinho, no amendoim esperando o ônibus, naquela balinha marota. E assim foi embora. O sonho vai ficando distante, longe, quase inalcançável.

Parece muito óbvio né, falar essas coisas, mas muitas pessoas não se tocam nesses assuntos financeiros e quando precisa, não tem. É preciso entender sua vida financeira, anotar e pesar os seus gastos, pensar no futuro e nos seus sonhos. Pense quanto aquilo vai custar, pensa quanto você pode guardar, tente não comprar o amendoim, nem tomar o cafezinho. Centavinhos e centavinhos que fazem a diferença, viu?!

Quando nada ajuda

Se você está feliz, com coisas certas em sua vida, se tudo está indo bem: RELEVE ESTE TEXTO!

Sabe quando tudo no dia está ruim? Os planos deram errado, as pessoas não te escutaram, os vizinhos gritam, as esperanças acabam, assim como a paciência, e para colaborar, nem a internet funciona direito.

Passar por dias ruins está me fazendo perder o ânimo. Mesmo que coisas pontuais aconteçam, elas são superadas por notícias ruins, palavras ruins e e-mails ruins.

O que era chamado por mim de esperança, hoje soa algo como: desespero, inalcançável, difícil. E as vezes o som é maior e sai coisas do tipo: incapaz, substituível, sem capacidade, sem talento.

Não pense que estou exagerando. Não estou. Sem como é o som do desespero, da dor, de ver as coisas aos poucos caindo e eu, do meu pequeno canto observando, admirando a beleza do desastre, da poeira nos olhos, da tristeza que paira na mente de todos.

Também não é drama. Não é drama. Sei também como as coisas são boas para mim, sem pressão, sem pressa, com confortos, alguns luxos, amor e carinho a minha disposição. A cobrança é interna, é na minha cabeça, no subconsciente, no meu ser.

Cobrança para mostrar que sou capaz, que posso, que podem acreditar em mim, que os fracassos passados foram apenas degraus de uma linda e saborosa vitória. Vitória essa que estou demorando para sentir o gosto. Vitória essa que parece não chegar nunca. Vitória essa que está atrasada, pois no meu relógio teria que ter acontecido ano passado, talvez retrasado.

Como falei: Se você está feliz, com coisas certas em sua vida, se tudo está indo bem: RELEVE ESTE TEXTO!

Nada Nada Nada

Parece uma busca impossível.

Parece que não há o que buscar.

Parece que tudo que encontro, acabo me tornando pequena, substituível, pouco.

Hoje, no momento, não me sinto capaz, não me sinto forte.

Hoje me sinto picada, aos poucos, rastejando.

Sobrevivendo de uma alegria estocada, não sei em qual lugar de mim.

Dia após dia.

Sonhos que se afastam cada vez mais.

Metas que penso nunca conseguir conquistar.

Idade x pensamento.

Idade x cansaço.

Idade x eu mesma.

Positivismo x negativismo constante.

Desistir x tentar mil vezes. Quebrar a cara muitas vezes. Conseguir uma vez?

Cabeça, ombro, joelho e pé

Os passos só vão para trás. Os que são para frente sempre voltam. Falta de vontade não é, falta de impulso não é. Parece que os pés estão ligados ao pensamento e sempre que os pensamentos não correspondem a realidade os passos não acontecem.

Você está em casa, reclamando porque 10% da sua vida está ruim, só porque você ainda é nova e não encontrou seu amor. Tem gente com 70 anos que ainda está buscando. Enquanto isso, uma família está na beira da estrada, no frio, com duas crianças e não pedem nada. Se viram. Torcem para alguém olhar para o lado e botar a mão na consciência.

No nosso mundo perfeito não existe tráfico, tiros, crianças sem comida e lar. Nesse mundo perfeito  não há espaço para comoção. Não há espaço para comoção pessoal, mas para a nacional há espaço. Levanta a bandeira LGBTTI, mas não tem coragem de falar isso para a família. Defende o feminismo, mas está num relacionamento abusivo e não percebe. Não há espaço para problemas pequenos. Só comoção com campanhas via rede social.

Enche o peito para dizer que tem muitas curtidas e seguidores, mas quando precisou ninguém estava ao seu lado. Estamos vivendo a era Black Mirror, realmente. Os passos são para trás. A cabeça regrediu. Os pés estão ligados à cabeça e não podem pensar separados. Os pensamentos são retrógrados, os passos também. Não olhamos para a dor mais próxima e sim para a a dor nacional. Pelo menos ainda sentimos dor. Pelo menos ainda tem a esperança de encontrar o amor. Mas tem pressa e medo de ser feliz. Ou infeliz. Ou medo de ser. Ou medo de não ser. Tem medo. O medo basta. O medo te atrasa e não deixa andar. O medo te impulsa a ir mais longe. O medo.

Sem sentido, perdidos, vamos andando e acordando. Sem saber como será o dia. Ou sabendo e não querendo ter aquele dia. Ignorando. Ignorado. Por tudo e todos. Esquecido. O celular acabou a bateria. Está sozinho, não tem amor. Sem curtidas. Olhou para frente. Viu a família na beira da estrada. Sentiu o vento no corpo. Imaginou o frio. Olhou para o outro lado. Viu uma loja. Entrou para comprar uma bateria a mais para o celular. Entrou no Tinder, Happn, Facebook, Instagram. Voltou a vida normal e esqueceu a dor de todos.

Lembrou da sua dor. Sempre sai com a bateria a mais agora. Para não sentir dor. Regrediu. Os pés estão juntos da cabeça. Pensa e anda igual. Para trás.

Crescer e amadurecer

Sinto como se algo tivesse mudado em mim. Algo como amadurecer. Mas, ao contrário do que muitos pensam, eu estou vendo isso de uma forma ruim. Sabe aquela pessoa que não perdia a paciência, que sempre tinha uma palavra amiga para aqueles que chegavam com problemas, ou talvez aquele tipo de amigo disposto a ajudar?

Eu já fui assim. Eu era assim. Mas, aprendi muitas coisas e nessas pude ver que só eu posso resolver meus problemas, só eu posso realmente entender o que é certo e o que é errado na minha vida. Eu entendi que não preciso ir pelo conselho do fulano ou do ciclano para resolver alguma coisa. Eu que sei da minha vida. E da mesma eu não me sinto mais no direito de opinar ou aconselhar algo. Eu sinto como se não fosse mais aquela menina da oitava série ou primeiro ano do ensino médio para dizer para minha amiguinha o que ela deveria fazer. Me sinto assim e realmente não sou mais.

Esse amadurecimento é bom, faz parte da vida, mas também sinto como se tivesse levado metade da minha alegria, da minha paixão pela vida. Hoje, correndo de um trabalho para o outro, dentro de um ônibus para cá e outro pra lá, lidando com pessoas diferentes, com vidas diferente, percebi isso. Percebi que eu preciso, nessa fase da minha vida, me concentrar em mim, pensar nos conselhos para mim, porque ninguém vive minha vida, ninguém sabe o que se passa no meu interior, e por isso ninguém pode opinar ou achar o que é melhor ou não.

Dessa mesma forma que eu estou me virando, e muito bem por sinal, você também pode. Sabe, perca o medo, joga no Google o endereço, liga, manda mensagem. Não me use de pombo correio, não me ache com cara de Google Maps, não ache que eu tenho tempo ou paciência. Eu tinha. Hoje, não mais.

LIVRO “A VIDA QUE NINGUÉM VÊ”

Sabe aquele livro que você guarda pra vida? Que recomenda, que elogia e não empresta? Então, esse meu amor todo é dedicado ao livro “A Vida que Ninguém Vê”, da jornalista Eliane Brum. E é sobre ele o post de hoje.

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O livro é formado por crônicas-reportagens publicadas na coluna “A Vida que Ninguém Vê”, no ano de 1999, no jornal Zero Hora, de Porto Alegre. Eliane Brum recebeu o prêmio Esso Regional daquele ano, devido ao sucesso dos seus textos. O livro, publicado em 2006, é ganhador do Prêmio Jabuti 2007 (Melhor Livro de Reportagem).

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Mas afinal, qual é essa vida que ninguém vê e qual o motivo dela estar em um jornal e depois se fazer livro? Todas as histórias contadas por Eliane são reais, são tão reais que algumas parecem mentira. Mas não são. As 23 crônicas-reportagens são contadas brilhantemente pela jornalista, que consegue, brincando com as palavras, trazer um sorriso e uma lágrima ao leitor. Digo isso, pois sou fascinada pelo estilo de escrita de Eliane e recomendo vocês a lerem. Confiem em mim, não vão se arrepender.

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Mas se as histórias são verdadeiras por qual motivo são chamadas de crônicas? Como explica Eliane, “as reportagens transformam-se em crônicas, pois elas são narradas com vivacidade e fúria pelos protagonistas. É a literatura da vida real!” 

As personagens são pessoas humildes, que ganharam voz nas linhas de Eliane. Ao ler o livro, nós vamos fazendo questionamentos sobre a nossa própria vida. Mesmo as crônicas sendo escritas em 1999, cada palavra e relato acontecem facilmente nos dias de hoje, alguns até com mais frequência.

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Eliane tem seis livros publicados: A Menina Quebrada; Uma Duas; O Olho da Rua; A Vida que Ninguém Vê; O Avesso da Lenda e Meus Desacontecimentos;. Desses, tenho os quatro primeiros, além de dois ( Dignidade e Um Sábado no Paraíso do Swing) que são livros com reportagens de diversos jornalistas e também escritores. Se recomendo? TODOS OS QUE TENHO, já que os outros não li, né!

Até o Bento curtiu!!

Até o Bento curtiu!!

Você pode conhecer mais sobre Eliane Brum no site da jornalista, ou ler as colunas escritas por ela no El País –  onde ela escreve atualmente – e também na Época– onde ela não escreve mais. Para comprar os livros, é mais fácil achá-los pela internet, no site da Livraria Cultura ou Saraiva, ou a que você preferir.

Já leram algum livro dela ou algum texto? Se não, por favor, leia e venha aqui comentar!

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